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Campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI
(Associação Brasileira de Imprensa).

Vírgula pode ser uma pausa… ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode criar heróis..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

Detalhes Adicionais:

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER…..
* Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM…

Uma Mente Espacial: Tributo Ao Syd

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

*Então galera, vendo as notícias dos últimos dias sobre a morte do Syd, fundador do Pink Floyd, a princípio tive um choque, foi um acontecimento inesperado, lisergicamente nostálgico. A mídia nos transportou de volta aos anos 60, numa época em que Barrett se tornou ícone do cenário psicodélico.

E, pela obra realizada em aproximadamente cinco anos, como pode um artista ser lembrado por outros quarenta (ou muito mais do que isso)? Somente aqueles que cravam suas garras na história da humanidade conseguem esse feito artístico. Não precisa ser tecnicamente virtuoso e fazer melodias complexas para conquistar espaço no universo fonográfico. A simplicidade talvez seja a maior virtude dos grandes artistas, porque é através dela que se consegue manifestar a beleza e o mistério da vida: um misto de utópicos sonhos e singelas realidades. Sombras luminosas que se afastam de luzes ofuscantes.

É o novo, o surpreendente, o criativo, o surreal, o desconhecido que penetra na mente das pessoas para delas nunca mais sair. Essas qualidades não faltavam ao Barrett embora muitos fãs não entendam como um guitarrista tão fraco tecnicamente pode ser tão mitificado e endeusado como ele o é. Já vi muitas histórias e muitos boatos sobre o cara e, apesar de alguns talvez serem verdadeiros, creio que pouco se sabe com certeza a respeito. Uns dizem que foi a mídia que o mitificou em função de estratégias comerciais da própria banda. Outros acham que a loucura dele foi totalmente dissimulada e que a sua reclusão era uma farsa. Mas pelos livros que já li a respeito creio que essas histórias são na verdade estórias. As pessoas que mais estudaram a vida do Syd mencionam uma tristeza profunda pela genialidade perdida no início dos anos 70 com a dispersão mental sofrida por ele. O cara tornou-se um qualquer que passou a repelir qualquer assunto relacionado ao Pink Floyd. Tornou-se quieto, estranho, insano, sem vida.

De qualquer forma, agora creio que assimilei bem a sua morte e tenho certeza que esse fato o libertou dessa prisão mundana que o impedia de brilhar de forma caleidoscópica entre as estrelas. Com sua morte, o lado escuro da lua e também de nossas mentes talvez tenha ficado um pouco mais escuro. Mas a Via Láctea, certamente, está muito mais brilhante.

Viajante Do Sol

* Texto originalmente publicado em 13.07.2006

A Música e a Transcendência da Alma

domingo, 4 de outubro de 2009

A arte é sem dúvida alguma uma das maiores representações existenciais do homem. Desde os tempos primitivos até a história contemporânea, as manifestações artísticas têm se mostrado o mais puro reflexo da vida e do espírito humano. Enquanto a poesia sensibiliza através da sinceridade na expressão de sentimentos, o teatro choca pelo seu realismo cru e impiedoso. O cinema, por sua vez, impressiona pela versatilidade que percorre desde os abismos etéreos da ficção e imaginação, até as encruzilhadas dramáticas que norteiam a face mundana da sociedade. A pintura encanta pela mágica combinação de cores que se revela explícita e ao mesmo tempo oculta. E a música? Bem, a música repercute não somente em uma camada consciente e racional da mente humana, mas atua também na alma, no subconsciente, atingindo diretamente as camadas mais ocultas e inexploradas da consciência. É imensurável o efeito sagrado e misterioso que ela causa no ser humano. Para observadores descuidados a música aparenta meramente abastecer-nos com doses maciças de entretenimento e diversão. Porém, poucos são os indivíduos cientes de seu poder metafísico e seu caráter abstrato, hipnótico, transcendente.

De certa forma, todas as manifestações artísticas possuem uma linguagem universal implícita. Entretanto, a música possui algumas características peculiares. Não foi por acaso que Schopenhauer e Nietzsche já no século XIX a incorporaram na essência de seus pensamentos filosóficos. Ela impressiona pelo seu alcance longínquo e pelos efeitos contundentes que é capaz de provocar no âmbito social, político e cultural de um povo.

Pois então. Vamos imaginar um anfiteatro, ou qualquer local apropriado para um espetáculo, com capacidade para algumas dezenas de pessoas. Agora consideremos que cada uma das pessoas presentes fala um idioma diferente tornando a capacidade de comunicação basicamente nula. É um cenário entrópico, caótico. Mas eis que a música começa suavemente. Aos poucos desperta a curiosidade do público que elege seus estímulos sonoros como um referencial para despenderem a atenção. Primeiramente emitem-se freqüências tímidas, sutis, com efeitos relaxantes e meditativos. O público então passa a interagir mentalmente com o espetáculo e as ondas sonoras tornam-se lentamente mais contundentes. Ouve-se um batuque que torna-se progressivamente mais grave. De suas batidas rítmicas lineares surgem novos sons percussivos em diferentes tons. Cada qual com seu ritmo, sua intensidade. Porém todos ressoando na mesma harmonia. Um estímulo uníssono dá um toque de magia ao ambiente. Torna-se um desafio permanecer parado. Fecham-se os olhos. Eis que o ritmo da música é agora o embalo da alma. Mantras são entoados com intensidade para elevar o padrão vibracional. Uma dança frenética toma conta da multidão. Os batuques tornam-se mais fortes, o tempo acelerado. Cada indivíduo representa então uma célula do corpo vivo engendrado no espetáculo. As pessoas sentem-se livres, os movimentos são espontâneos e aleatórios. Escutam-se berros, risadas e gritos de prazer. Música, dança e ruídos fundem-se então num único e sublime experimentalismo artístico que desvela brevemente a eterna transcendência da alma.

O parágrafo anterior é meramente uma ficção. Uma espécie de simulação xamânica usada para exemplificar o poder exercido pela música. Porém, podemos perfeitamente analisar a história contemporânea para entender a dimensão de sua força. Não foi mera coincidência que o último grande movimento contracultura presenciado mundialmente, em meados dos anos 60, tenha ocorrido simultaneamente a um dos maiores movimentos musicais do século XX. A música naquela época embalava uma juventude imersa em mudanças tanto culturais, como também políticas, filosóficas e sexuais.

O descontentamento com os valores capitalistas era progressivo. O crescimento contínuo não sustentável e a prosperidade industrial defendidos pelo velho sistema passaram a ser rejeitados pelos jovens e substituídos pelos ideais de “paz e amor” e pela incorporação de valores orientais ao ocidente como a yoga e a meditação. No contexto musical houve uma avalanche de bandas que refletiam esse movimento contracultura: Bob Dylan, Beatles, Jimi Hendrix, Cream, Pink Floyd, The Doors, Jefferson Airplane foram apenas alguns dos grandes nomes que embalaram a juventude da época de forma contudente, a ponto de cravar para sempre suas garras na história do rock.

As principais cidades da Europa e Estados Unidos transformaram-se rapidamente em grandes centros psicodélicos com uma explosão artística impressionante. As músicas passaram a romper a barreira do tempo e dos padrões comerciais fonográficos: canções de poucos minutos com estruturas manjadas de melodia e refrão, baseadas no rhythm and blues americano, já não satisfaziam mais os jovens. As danças inocentes de remexer quadris foram substituídas por viagens coloridas em busca de Lucy em um céu com diamantes, como a letra da canção Lucy in the sky with diamonds dos Beatles proclamava.

Nessa época atingiu-se um patamar sagrado de criação artística devido a inúmeros fatores. Dentre eles se destacava a harmonia entre a ideologia e comportamento dos jovens refletidos nas produções musicais. Assim como os antigos valores do sistema estavam sendo rejeitados, os velhos padrões fonográficos também eram abandonados. Isso deu asas para que a criação musical atingisse patamares jamais imaginados. Músicas como The End dos Doors e Interstellar Overdrive do Pink Floyd eram verdadeiras viagens hipnóticas que estimulavam o público a entrar em transe e abandonar os estágios meramente físicos de percepção, entrando numa esfera oculta, espiritual, existencial.

Como se não bastasse, a quebra de padrões não foi uma exclusividade do rock nos anos 60. John Coltrane nessa época reinventava o Jazz com o chamado New Thing. Miles Davis também incorporava novos elementos ao estilo fazendo o Jazz Fusion. Na Jamaica Bob Marley & The Wailers apoiavam-se no Ska para desenvolver o Reggae, ritmo jamaicano que veio a se tornar popularizado em todo o mundo. No Brasil, embora houvesse a ditadura censurando artistas e músicos, nascia um novo e revolucionário estilo musical. Tom Jobim, João Gilberto, Roberto Menescal, Carlos Lyra foram alguns dos fundadores do movimento Bossa Nova. Essa invenção brasileira, mais do que ter se popularizado em todo o mundo, veio também a influenciar o Jazz e ser influenciada por esse estilo, se tornando o ritmo brasileiro mais tocado no mundo.

O próprio rock no fim dos anos 60 passou a se fundir com outros estilos e elementos musicais como jazz, música clássica, música oriental, folk, bossa nova, blues e muitos outros elementos, criando o que viria a ser conhecido como rock progressivo. Bandas como King Crimson, The Soft Machine, Camel, Focus, Nektar, Gentle Giant, Emerson Lake & Palmer, Yes e Genesis são apenas alguns dos representantes dessa onda musical que transformava o rock em laboratório para novas criações e experimentalismos. No Brasil, no início dos anos 70, bandas como O Terço, Casa das Máquinas, Mutantes, Som Imaginário e Som Nosso de Cada Dia também aderiram a esse experimentalismo musical que, de certa forma, era encarado como uma evolução do rock psicodélico do fim dos anos 60.

Embora a música tenha o imenso poder de agir na camada existencial do ser humano, causando transformações culturais e sociais, ela pode também ser subutilizada, estabelecendo interações meramente superficiais com o público em geral. O mercado fonográfico ao longo do séc. XX a transformou num produto extremamente rentável para as grandes gravadoras e produtores musicais. Isso não apenas fez com que as gravadoras estabelecessem padrões comerciais para a música como fez também com que os músicos atenuassem o experimentalismo e a liberdade criativa para tentar se enquadrar aos padrões comerciais impostos pelo mercado fonográfico.

De certa forma, a cultura ocidental passou a encarar a música muito mais como um produto do que como uma manifestação artística e, dentro dessa concepção materialista, o seu caráter transcendente e metafísico tem sido deixado em segundo plano. Em tempos de globalização, o mercado fonográfico encontra-se preso em um círculo vicioso no qual as gravadoras promovem e investem nos artistas que julgam atender aos padrões comerciais. Os artistas por sua vez produzem tentando adequar-se a esses padrões e o público em geral consome justamente aquilo que se encontra dentro dos parâmetros estabelecidos pelo próprio mercado fonográfico. Isso resulta em músicos que não tocam aquilo que realmente desejam e num público que “consome” música como um mero produto de entretenimento. Produto esse que só se torna atrativo devido à embalagem e propaganda difundida por gravadoras e meios de comunicação em geral, como reality shows, novelas e programas televisivos.

A excessiva obrigação de gerar lucro através da música acaba erradicando o seu caráter transcendente e sagrado, transformando-a em um elemento demasiadamente enraizado nos valores capitalistas. Como conseqüência, há um atraso na renovação criativa da música, uma vez que o mainstream tem por principal característica agarrar-se a padrões comerciais pré-estabelecidos, cujo objetivo visa unicamente o lucro, não havendo qualquer preocupação com a expressão musical do artista sob o ponto de vista cultural, político e filosófico.

Ainda dentro do contexto da globalização ocorre algo muito interessante no que diz respeito ao mercado independente. Nunca foi tão fácil para uma banda independente gravar um disco como é atualmente. Hoje em dia os equipamentos são de fácil acesso e as tarefas de edição, mixagem e produção são muito mais simples com a utilização de programas editores de áudio e outros recursos computacionais que exploram a funcionalidade tecnológica.

Desta forma, o mercado independente produz muito mais bandas e músicas do que fora produzido no passado. Isso representa uma certa ameaça para as gravadoras e acaba também facilitando a liberdade de expressão dos músicos, tendo em vista que a capacidade de divulgação musical é potencializada através da Internet. Entretanto, o que se percebe na era da globalização, é que por mais que haja uma facilidade no compartilhamento de informações entre diversas culturas e povos, as pessoas acabam se auto-afirmando muito mais pela individualidade do que pelas semelhanças. É necessário que haja uma coesão no movimento independente de bandas para que ocorra uma modificação expressiva no cenário atual. É preciso que as bandas expressem idéias, filosofias e comportamentos em comum para que o cenário independente não seja somente uma fragmentação de variações musicais, mas seja na verdade uma recusa dos valores estabelecidos pelo mercado fonográfico em prol da valorização dos elementos artísticos que fazem da arte uma manifestação sagrada, metafísica, transcendente e, principalmente, acessível a todos independente da classe social à qual o indivíduo pertence.

Um exemplo relativamente recente de banda criativa que se tornou bem sucedida, tanto nacional como internacionalmente, foi Chico Science & Nação Zumbi e sua ascensão em meados dos anos 90, com a mágica combinação do peso percussivo do maracatu nordestino com as guitarras distorcidas do rock. Chico Science foi um músico progressivo, um ícone do movimento mangue beat e a prova de que a música promove uma constante renovação artística que transcende padrões e rótulos. Sua morte prematura o transformou em mito, sendo até hoje considerado o grande gênio precursor do estilo.

Deste modo, música transcendente é aquela que expressa a autenticidade e originalidade do artista convertendo a voz silenciosa da alma em ondas musicais e vibrações sonoras. Os estilos podem ser diferentes, o pensamento dos artistas também, mas o sentimento musical precisa estar enraizado nos valores existenciais que revelam a identidade cósmica do ser humano. É o respeito aos valores existenciais do homem o que faz com que o ser humano seja de fato humano em suas atitudes. Por isso, o músico que se deixa possuir por um sentimento existencial sublime e autêntico consegue expressar algo imensamente maior do que suas meras aspirações pessoais. Através da música, ele é capaz de alcançar esferas cósmicas de percepção que manifestam a essência do amor, resultando em um profundo abandono dos estados de consciência estritamente racionais. A pura sensação de Ser propaga-se ao público que igualmente atinge um estado espiritual de transcendência. Tudo se resume a uma espécie de ritual alquímico em que o músico é o portador da mensagem cósmica que resgata o unívoco etéreo implícito em todos os indivíduos que engendram um espetáculo.

Esse é o segredo dos xamãs, que por meio de mantras, danças e rituais sagrados envolvendo a utilização da música são capazes de proteger, guiar e curar suas tribos. Como um músico de grande talento, o xamã é uma espécie de alquimista capaz de resgatar a harmonia entre homem e natureza. Natureza esta que desvela o caráter transcendente da alma. E o que vem a ser essa transcendência de que tanto trata este artigo? Em meio a um mundo tão complexo e heterogêneo é a descoberta do que existe de mais simples na vida: as consciências que habitam o universo são provenientes da mesma fonte, encontrada numa dimensão oculta, fulgente e não-linear, genitora do amor.

Viajante Do Sol – Aurora Boreal

Viajante do Sol