Arquivo de abril de 2006

Carta 8 de 28 de Abril de 2006

sexta-feira, 28 de abril de 2006

Sobre o amor

Por que as pessoas priorizam o amor?
E não falo sobre o amor incondicional,
não falo sobre fazer o bem…
não falo sobre se importar com cada pedaço
do mundo, transmitindo boas vibrações, sobre
amor fraterno, materno… mas sobre esse
estado doentio e autodestrutivo que
boa parte das pessoas procura no amor.

Quem disse que você vai encontrar alguém
que realmente ame? Se não encontrar?
Vai passar o resto da vida em lamentações?
Vai se tornar alguém triste e solitário?
Vai optar pelo “menos pior”, só porque te
disseram que para todo pé cansado existe
um bom chinelo? Baboseira…

Talvez eles estejam errados! “Eles”
todos a sua volta… sua família, seus
amigos, os filmes água-com-açúcar…
Talvez você não precise arranjar um par…
não agora! Talvez não precise viver em
função de consertar todos os relacionamentos
desajustados que tiver, até que encontre
alguém que realmente valha a pena…
até porque, talvez você nunca encontre
alguém que realmente valha a pena do
jeito que imagina…

E, por acaso, esse é seu único objetivo
de vida até agora? O mais importante?
“Encontrar o amor”?!

Até Sheakspeare, cujas obras derretiam-se
em meio a romances, tinha a receita:
“Plante seu jardim e decore sua alma,
ao invés de esperar que alguém lhe traga
flores”.

Cinderela… esquece a droga do sapatinho!
Ande um pouco descalça… sinta o chão…

Carta 7 de 25 de Abril de 2006

terça-feira, 25 de abril de 2006

/Bucentauro – Criatura fabulosa, metade homem, metade touro, da mitologia grega.
Simboliza a dualidade fundamental do homem: instinto-razão./

Instinto [do latim /instinctu/] – Tendência natural; aptidão inata; Força de
origem biológica, própria do homem e dos animais superiores, que atua de modo
inconsciente, espontâneo, automático, independente de aprendizado; Espécie de
inteligência rudimentar que dirige os seres vivos em suas ações, à revelia de
sua vontade e no interesse de sua conservação.

Razão [do latim /ratione/ = calcular] – Faculdade de raciocinar, de apreender,
de compreender, de ponderar, de julgar; Inteligência.

O instinto é uma razão rudimentar, que coordena os seres vivos independentemente
de sua vontade e no interesse de sua conservação. Pelo instinto, age-se sem
raciocinar; pela razão, raciocina-se antes de agir. O instinto existe sempre,
independente da intelectualidade, é a pré-história da inteligência racional. Ele
quase sempre nos guia e algumas vezes com mais segurança (sem dispor de razão, o
ser vivo não pode errar, porque não teria como corrigir o erro), entretanto, a
razão permite a escolha e dá ao homem o livre-arbítrio.

Sob certo ângulo, a razão pode parecer uma escolha egoísta e prejudicial à
harmonia da sociedade, entretanto, argumentava Freud, que o princípio do prazer,
na verdade, exprimia impulsos primitivos. A idéia era de que o comportamento
humano fosse no fundo governado por compulsões sem nenhum propósito mais nobre
que a auto-realização carnal (satisfazer às necessidades físicas e prover à
conservação própria), os instintos. No nível profundo da organização mental que
Freud chamou de ID, a anatomia e a química funcionais de nosso cérebro não são
muito diferentes daquelas dos animais que vivem nos currais ou dos bichos de
estimação.

Após certa reflexão, não é difícil crer que se nós, homens, fossemos guiados
pela razão somente, muito provavelmente nos tornaríamos como computadores:
cérebros artificiais que se baseiam em bancos de dados, que decidem entre duas
opções, segundo um programa preestabelecido e de acordo com o acervo de
informações que têm armazenado em suas memórias. E, pelo contrário, caso
seguíssemos apenas o instinto, viveríamos como animais imorais e destrutivos…
como Bucentauros sem cabeça.

Carta 6 de 14 de Abril de 2006

sexta-feira, 14 de abril de 2006

INSTINTO

O conceito popular nos diz que o ser humano é guiado pela razão.

Aceitando isto como universal e verdadeiro, a razão deveria ser
a responsável por toda e qualquer decisão da humanidade.

Agora vos pergunto; Será a razão a verdadeira linha a ser seguida?
Será que o instinto não faria tal trabalho de maneira mais rápida
e harmoniosa?

Será que o instinto nos foi roubado? Este é o fardo que a divina
criação nos coloca? Ou será que é apenas uma das possibilidades?

Será que conseguimos seguir nossos instintos e sermos mais felizes?

Será que tudo o que circunda a razão como os valores aplicados na
vida social, a posição social, cultural, de poder e riqueza não nos
é prejudicial?

Os seres humanos mais felizes são aqueles que desconhecem a sua
própria natureza e vivem como uma sociedade primitiva onde temos
organização e trabalho conjunto, união humana e um comportamento
digno de boa vontade.

Será que tais seres humanos são guiados pela razão ou pelo instinto?

Será que tu, que nos lê agora é guiado:
-   totalmente pela razão?
-   apenas por instinto?
-   de um misto de razão e instinto?

Qual a alternativa correta?

Será que somos capazes de responder a esta pergunta?

Carta 5 de 5 de Abril de 2006

quarta-feira, 5 de abril de 2006

TRABALHAR OU ABORRECER-SE

A necessidade imperiosa do homem é assegurar a existência,
e feito isto, já sabe o que fazer. Portanto, depois disso,
o homem se esforça para aliviar o peso da vida, torná-la
agradável e menos sensível: “matar o tempo”, isto é, fugir
ao aborrecimento.

Livres da preocupação de assegurar a existência, e livres seus ombros de todo fardo moral ou material, eles mesmos constinuem sua própria carga, e sentem-se felizes porque viveram uma hora despercebida, embora isto signifique que sua vida a qual se esforrçam com tanto zêlo para prolongá-la, ficou encurtada pelo mesmo espaço de tempo.

O aborrecimento merece tê-lo em conta; ele se reflete na fisionomia

O aborrecimento é a origem do instinto social, porque faz com que os homens, que pouco se amam, se procurem e se relacionem. O estado é considerado como uma calamidade pública e por prudência toma medidas para o combater.

O aborrecimento como o seu extremo oposto, a fome, pode
impelir o homem aos maiores desvarios; o povo precisa panem et circenses.

Fundado na solidão e na inatividade, o rude sistema
penitenciário de Filadélfia faz do aborrecimento um
instrumento de suplício tão terrível, que mais de um
condenado tem-se suicidado para fugir à ele.

A miséria é sofrimento pungente do povo; o desgosto
é para os favorecidos.

Na vida civil, o domingo significa o tédio,
e os seis dias, o desgosto.