1º. Não declararás as variáveis em ordem alfabética.
2º. Não cobiçarás o algoritmo do próximo.
3º. Não violarás as operações dos tipos abstratos de dados.
4º. Honrar Knuth e Wirth.
5º. Não usarás GOTO em vão.
6º. Amar o usuário como a si mesmo.
7º. Não abandonarás os teus ponteiros.
8º. Não deixarás de inicializar suas variáveis.
9º. Não torturarás o disco rígido.
10º. Não terá outros métodos de ordenação além do QuickSort.
Arquivo de outubro de 2009
10 mandamentos do Programador
quarta-feira, 28 de outubro de 2009O que é planejamento?
quarta-feira, 28 de outubro de 2009Qual a definição de Planejamento?
Um dia um garoto de 12 anos entra num bordel, arrastando um gato morto por um barbante. Ele coloca uma nota de 50 no balcão e diz:- Quero uma mulher!
A cafetina, olhando para ele, responde:
- Você não acha que é um pouco jovem para isso?
Ele baixa uma segunda nota de 50 no balcão e repete:
- Quero uma mulher!
- Tá certo, – responde ela. Senta aí que vem uma dentro de meia hora.
Ele põe outra nota de 50:
- Agora … e ela tem que ter gonorréia!
A cafetina pergunta por que, mas ele deixa mais uma nota de 50 e repete:
- Go – nor – réi – a!
Alguns minutos depois chega uma mulher, e eles sobem a escada (ele arrastando o gato morto).
No quarto ela faz seu trabalho, e quando eles estão saindo, a cafetina pergunta:
- Tudo bem … mas por que você queria alguém com gonorréia?
- Quando eu voltar para casa, vou transar com a babá, quando o papai voltar para casa, vai levar a babá para casa dela e vai transar com ela, quando ele voltar para casa, vai transar com a mamãe e, amanhã de manhã, depois que o papai sair para o trabalho, a mamãe vai transar com o leiteiro … e o leiteiro é o filho da puta que atropelou meu gato!
ENTENDEU O QUE É PLANEJAMENTO?
“Planejamento é aquilo que fode com todo mundo, para se atingir um único objetivo.”
Os onze Mandamentos do Pai [aqui vai o nome do seu chefe]
quarta-feira, 21 de outubro de 20091. Não comerás {qualquer alimento para dar tom simbólico e divino} ou qualquer um de seus derivados.
2. Não trabalharás e não darás trabalho a qualquer humano em dias de {Qualquer dia, como Sábado e Domingo }.
3. Jamais cumprirá suas promessas relacionadas a tempo e prazo; sempre chegarás atrasado aos compromissos.
4. Não ingerirás {fruta ou alimento que deixe os mandamentos engraçados} , a/0 {fruta ou alimento} do pecado, a menos que consiga fazê-lo sem mastigar.
5. Demonstrarás toda sua ira através de atos violentos contra seres inanimados, como telefone, monitor e teclado.
6. Não dividirás seu ambiente de trabalho com criaturas do {diferentes ou do sexo feminino, por exemplo }.
7. Não habilitarás a tecla numlock em seu computador.
8. Concederás total importância a {qualquer coisa inútil}, como {o nome de alguma coisa inútil}, pois eles são coisas sérias; nunca brincarás durante a brincadeira.
9. Não utilizarás procedimentnos organizados para gerenciamento de pendências, como {alguma ferramenta que organiza o trabalho}, pois correspondências eletrônicas e papéis avulsos com anotações confusas são muito mais eficientes.
10. Viverás em função do trabalho: ficarás até mais tarde, trabalharás no domingo, trancarás ou largará seu curso na/0 {qualquer curso ou instituição de ensino} e morarás em local próximo à empresa para poder chegar rápido em caso de precisar trabalhar em dias e horários em que não deveria estar trabalhando.
11. Seus colaboradores serão seus {adoradores, algo que dê simbolo}, então não necessariamente precisam receber em dinheiro ou na melhor forma possível. Se for de graça, melhor ainda. Em alguns casos o coladorador poderá trabalhar sem receber e ainda ter a possibilidade de ser sócio de alguma coisa, mas só depois de cumprir horas suficientes que justifiquem sua sociedade no produto que o próprio colaborador fez.
Lei contra o cristianismo – do livro “O Anticristo” de Friedrich Nietzsche
domingo, 18 de outubro de 2009Lei contra o cristianismo
Dada no dia da Salvação, primeiro dia do ano Um
(a 30 de setembro de 1888, pelo falso calendário)
Gerra de morte: o vício é o cristianismo
Artigo primeiro – É vício qualquer forma de antinatureza. A mais viciosa espécie de homens é o padre: ele ensina a antinatureza. Contra o padre não temos razões, temos a casa da correção.
Artigo segundo – Qualquer participação num ofício divino é um atentado contra a moral pública. Seremos mais duros para um protestante do que para um católico, mais duros para um protestante liberal que para um puritano. Quanto mais próximo se está da ciência, maior é o crime de ser cristão. Por conseguinte, o maior dos criminosos é o filósofo.
Artigo terceiro – O lugar de maldição onde o cristianismo chocou os seus ovos de basilisco será completamente arrasado e, sendo sobre a Terra o local sacrílego, constituirá motivo de pavor para a posteridade. Aí serão criadas serpentes venenosas.
Artigo quarto – A apologia da castidade é uma pública incitação ao antinatural. Desprezar a vida sexual, exovalhá-la com a noção de “impuro”, eis o verdadeiro pecado contra o Espírto Santo da Vida.
Artigo quinto – Comer à mesa com um padre exclui-vos; fazendo, excomungam-se da justa sociedade. O padre é nosso tchandala – será encarcerado, privado de alimentos, expulso para um local como o deserto.
Artigo sexto – Dar-se-á à história “santa” o nome que merece, isto é, história maldita; serão usadas as palavras “Deus”, “Salvador”, “Redentor”, “Santo” para injuriar, para com elas marcar os criminosos.
Artigo sétimo – O resto nasce aqui.
Nietzsche – O Anticristo
Qual o valor do conhecimento?
sábado, 17 de outubro de 2009O PARAFUSO
Conto Tecnológico
Autor desconhecido
- Algumas vezes é um erro julgar o valor de uma
atividade simplesmente pelo tempo utilizado
para realizá-la…
- Um bom exemplo é o caso do técnico especialista
em informática que foi chamado para consertar
um computador gigantesco e extremamente
complexo…um computador que só ele
valia 12 milhões, imagine quanto valia
o mesmo voltar a funcionar….
- Sentado frente ao monitor, apertou umas teclas,
balançou a cabeça, murmurou algo
a si mesmo e desligou o aparelho.
- Tirou do seu bolso uma pequena chave
de fenda e girou uma volta e meia um
minúsculo parafuso.
- A seguir, religou o computador e
verificou o seu perfeito funcionamento.
- O presidente da companhia (ah tá que
ele estaria lá…estariam alguns de seus
puxa-sacos e baba-ovos verificando se
alguém já foi mandado para fazer
voltar a funcionar) mostrou-se encantado
e se dispos a pagar a conta imediatamente.
- “Quanto é que lhe devo?” – perguntou.
- “São mil pratas pelo serviço efetuado”.
- “Mil pratas? Mil pratas por uns momentos de trabalho?
Mil pratas por apertar um simples parafuso?
Eu sei que meu computador vale 12 milhões, mas
mil pratas é uma quantidade bruta!!”
-”Efetuarei o pagamento desde que me envie
uma fatura detalhada que justifique a sua cobrança.”
O técnico confirmou com a cabeça o pedido e se foi.
Na manhã seguinte, o presidente recebeu a fatura,
a leu com cuidado, balançou a cabeça e
resolveu pagá-la no ato, sem pestanejar. A fatura dizia:
Detalhe dos serviços prestados
1. Apertar um parafuso………………………………….$1,00
2. Saber qual parafuso apertar…………………….$999,00
Total da fatura……………………….MIL PRATAS SIM
(CONTA DE PRIMEIRO GRAU HEIN?)
Acho que qualquer profissional de informática engajado
com a arte e o conhecimento de desenvolvimento
de software, suporte e uso do software podem lembrar
de quanto vale o conhecimento, o conhecimento demora
muito tempo para ser adquirido, com medidas próprias.
É um investimento que fazemos na vida.
Controlando o warning “W1002 Symbol ‘algumsimbolo’ is specific to a platform” no Delphi
sábado, 17 de outubro de 2009Algumas vezes quando estamos desenvolvendo uma aplicação já sabemos que o sistema operacional vai ser específico, hei, estou usando VCL pura e meu aplicativo só rodará em Windows mesmo e mesmo assim quero eliminar warnings importantes do meu código. Para isso temos de explícitamente avisar ao compilador que determinada tarefa que estamos para fazer é realmente específica para Windows.
As diretivas que podem ser utilizadas são:
{$WARN SYMBOL_PLATFORM OFF}
aqui vai seu código específico de
plataforma que você conhece
É um requisito do software
{$WARN SYMBOL_PLATFORM ON}
ou no mínimo, para qualquer
tipo de warning:
{$WARNINGS OFF}
aqui vai seu bloco
de código que não vai
gerar warning
neste caso use
com cuidado esta diretiva,
pois oculta QUALQUER
warning e poderá estar
ocultando algo que
você DEVERIA MESMO RESOLVER
{$WARNINGS OFF}
Uma Mente Espacial: Tributo Ao Syd
quinta-feira, 15 de outubro de 2009*Então galera, vendo as notícias dos últimos dias sobre a morte do Syd, fundador do Pink Floyd, a princípio tive um choque, foi um acontecimento inesperado, lisergicamente nostálgico. A mídia nos transportou de volta aos anos 60, numa época em que Barrett se tornou ícone do cenário psicodélico.
E, pela obra realizada em aproximadamente cinco anos, como pode um artista ser lembrado por outros quarenta (ou muito mais do que isso)? Somente aqueles que cravam suas garras na história da humanidade conseguem esse feito artístico. Não precisa ser tecnicamente virtuoso e fazer melodias complexas para conquistar espaço no universo fonográfico. A simplicidade talvez seja a maior virtude dos grandes artistas, porque é através dela que se consegue manifestar a beleza e o mistério da vida: um misto de utópicos sonhos e singelas realidades. Sombras luminosas que se afastam de luzes ofuscantes.
É o novo, o surpreendente, o criativo, o surreal, o desconhecido que penetra na mente das pessoas para delas nunca mais sair. Essas qualidades não faltavam ao Barrett embora muitos fãs não entendam como um guitarrista tão fraco tecnicamente pode ser tão mitificado e endeusado como ele o é. Já vi muitas histórias e muitos boatos sobre o cara e, apesar de alguns talvez serem verdadeiros, creio que pouco se sabe com certeza a respeito. Uns dizem que foi a mídia que o mitificou em função de estratégias comerciais da própria banda. Outros acham que a loucura dele foi totalmente dissimulada e que a sua reclusão era uma farsa. Mas pelos livros que já li a respeito creio que essas histórias são na verdade estórias. As pessoas que mais estudaram a vida do Syd mencionam uma tristeza profunda pela genialidade perdida no início dos anos 70 com a dispersão mental sofrida por ele. O cara tornou-se um qualquer que passou a repelir qualquer assunto relacionado ao Pink Floyd. Tornou-se quieto, estranho, insano, sem vida.
De qualquer forma, agora creio que assimilei bem a sua morte e tenho certeza que esse fato o libertou dessa prisão mundana que o impedia de brilhar de forma caleidoscópica entre as estrelas. Com sua morte, o lado escuro da lua e também de nossas mentes talvez tenha ficado um pouco mais escuro. Mas a Via Láctea, certamente, está muito mais brilhante.
Viajante Do Sol
* Texto originalmente publicado em 13.07.2006
Casa dos políticos já!
quarta-feira, 14 de outubro de 2009Idéia de Rita Lee, no programa do Amaury Jr., a cantora e ativista Rita Lee teve uma daquelas ideias brilhantes, dignas do seu gênio criativo. Reclamando da inutilidade de programas como o Big Brother, Casa dos artistas e A Fazenda, ela deu a seguinte sugestão:
“Colocar todos os pré-candidatos à presidência da República trancados em uma casa, debatendo e discutindo seus respectivos programas de governo. Sem marqueteiros, sem assessores, sem máscaras e sem discursos ensaiados. Toda semana o público vota e elimina um. No final do programa, o vencedor ganharia o cargo público máximo do país.”
Além de acabar com o enfadonho e repetitivo horário político, a população conheceria o verdadeiro caráter dos candidatos.
Assim, quem financiaria essa casa seria o repasse de parte do valor dos telefonemas que a casa receberia e ninguém mais precisará corromper empreiteiras ou empresas de lixo sob a alegação de cobrir o ‘fundo de campanha.’
A idéia não é incrivelmente boa ????????
Se você também gostou, mande essa mensagem para os amigos e faça coro pela campanha:
Casa dos Políticos, já!!!
Invisibilidade Pública – Você ao menos cumprimenta?!
quarta-feira, 14 de outubro de 2009“Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível”.
Um psicólogo varreu as ruas da USP por 8 anos, para concluir sua tese de mestrado da “invisibilidade pública”.
Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.
Plínio Delphino, Diário de São Paulo.
O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da USP. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são “seres invisíveis, sem nome”. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da “invisibilidade pública”, ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400,00 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:
“Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência, explica o pesquisador.”
O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim e não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão’, diz.
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: ‘E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?’ E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.
O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.
E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando – professor meu – até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma ideia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um objeto.
E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, frequento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome.
São tratados como se fossem uma “COISA”.
Ser “IGNORADO” por um semelhante é uma das piores sensações que existem na vida!
Escândalos invisíveis, artigo de Osvaldo Russo
quarta-feira, 14 de outubro de 2009A destruição de 2 hectares de um laranjal, plantado me extensa área pública da União ocupada ilegalmente por uma grande empresa privada, orquestrada pela mídia e pelos interesses do agronegócio, escandaliza.
Enquanto isso, milhares de famílias estão acampadas em beira de estradas, trabalhadores são escravizados em pleno século 21 e trabalhadores rurais, líderes sindicais, religiosos e advogados são assassinados no Brasil.
Mas isso não escandaliza.
Milhares de processos estão travados na justiça emperrando as desapropriações para fins de reforma agrária e deixando sem solução os crimes do latifúndio e de sua pistolagem.
Mas isso não escandaliza.
As denúncias sobre casos de trabalho escravo contemporâneo atingem um recorde histórico no Brasil, de acordo com o relatório “Conflitos no Campo Brasil 2008″, elaborado pela Comissão Pastoral da Terra, que registra 280 ocorrências no ano passado.Ao todo, os casos relatados pela CPT envolveram sete mil trabalhadores, 86 deles crianças e adolescentes, tendo havido 5,2 mil libertações.
Mas isso não escandaliza.
Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, de 1995 a 2002, a Fiscalização do Trabalho do ministério realizou 177 operações em 816 fazendas, lavrando-se 6.085 autos de infração. Já no período de 2003 a 2008, foram realizadas 607 operações, envolvendo 1.369 fazendas fiscalizadas, onde foram lavrados 16.981 autos de infração, o que significa um incremento anual de 272,1% em relação ao período anterior.
Mas isso não escandaliza.
O recorde nas denúncias foi acompanhado da intensificação da ação fiscalizadora do governo federal, que declarou a erradicação e a repressão ao trabalho escravo contemporâneo como prioridades do Estado brasileiro. O Plano prevê a aprovação da PEC que altera o art. 243 da Constituição Federal, dispondo sobre a expropriação de terras – sem indenização – onde forem encontrados trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão e que, em muitas situações, tentam fugir da fazenda e são impedidos pelo fazendeiro. Mas os ruralistas escravocratas reagem e impedem a sua aprovação pelo Congresso Nacional.
Mas isso não escandaliza.
Ideólogos do agronegócio escravocrata tentam explicar o injustificável, chegando a afirmar que “o principal objetivo desse trabalhador em eventual fuga da fazenda e posterior retorno trazendo a fiscalização trabalhista não seria apenas evitar o pagamento da dívida contraída com o empreiteiro, mas, talvez muito mais importante, receber a ‘multa’ de vários milhares de reais, comumente imposta pelo fiscal ao agricultor e em favor do trabalhador, sob a acusação de prática de ‘trabalho escravo’ por parte do fazendeiro. Além disso, os trabalhadores ‘libertados’ passam a receber seguro desemprego, sendo possível que, depois, passem a receber também Bolsa Família”.
Mas isso não escandaliza.
Após mais de século da assinatura da Lei Áurea, o Brasil ainda convive com as marcas deixadas pelo regime colonial-escravista e por disparates escritos por seus neoideólogos. Conforme apresentação do Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, de 2003, assinada pelos então ministros Nilmário Miranda (Direitos Humanos) e Jacques Wagner (Trabalho e Emprego), “a escravidão contemporânea manifesta-se na clandestinidade e é marcada pelo autoritarismo, corrupção, segregação social, racismo, clientelismo e desrespeito aos direitos humanos”.
Mas isso não escandaliza.
Apesar do grande aumento da produção agrícola de 1975 pra cá, os ruralistas tentam impedir a atualização dos índices de produtividade da terra para fins de reforma agrária e ameaçam o governo e os sem terra com retaliações.
Mas isso não escandaliza.
Os ruralistas querem reinventar uma CPI para criminalizar o MST e intimidar o governo. Eles não querem a democracia e a justiça social. Eles querem continuar escravizando os trabalhadores rurais e impedir a reforma agrária no Brasil.
Mas isso não escandaliza.
Joaquim Nabuco, O Abolicionista, dizia que a Abolição da Escravatura era indissociável da democratização do solo pátrio. Monarquistas e republicanos não lhe deram ouvidos e a concentração das terras em poucas mãos continua escandalosa.
Mas isso não escandaliza.
Antes da Abolição, a rebeldia dos escravos escandalizava, mas o açoite neles não.
Osvaldo Russo, ex-presidente do INCRA, coordenador do Núcleo Agrário Nacional do PT.
* Artigo originalmente publicado no Correio da Cidadania, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.
** Colaboração de Frei Gilvander Moreira, para o EcoDebate, 13/10/2009
